A partir da chegada de touros importados vivos dos EUA, Select Sires comercializou aproximadamente 60 mil doses de sêmen de genética holandesa produzida no Brasil apenas no segundo semestre de 2017

Um projeto desenvolvido pela Select  Sires, maior cooperativa de comercialização de sêmen bovino do mundo, pretende tornar mais acessível a inseminação artificial de bovinos nas propriedades dos produtores brasileiros. Apesar de registrar crescimento nos últimos anos, a inseminação ainda acontece de forma tímida, especialmente em bovinos de leite, segundo especialistas do setor. “O Brasil é um dos únicos países que vende mais doses de touros de corte, do que de leite. Nosso produtor ainda insemina pouco perto do seu potencial. “, destaca Felipe Escobar, gerente de produtos da Select Sires.

Com a competência de quem comercializou mais de 18 milhões de doses em 2017 e exporta para mais de 100 países, a americana Select Sires, com sede em Porto Alegre, criou um programa para oferecer acesso à genética de ponta sem limitações de preço e qualidade. “O programa denominado ART Brasil tem como objetivo identificar e desenvolver animais expoentes na raça holandesa. Através da disponibilização em quantidade e preços acessíveis queremos diminuir o intervalo entre a utilização de genética ponta nos EUA com a utilização desta genética no mercado interno.”, afirma Escobar.

O programa iniciou em 2015 com a importação de embriões elite, mas já em 2017 atingiu outro patamar com a importação dos Estados Unidos de cinco touros vivos pertencentes à elite da raça holandesa, sendo três filhos de Modesty, touro ícone da raça. “A partir da importação destes touros vivos passamos a disponibilizar ao produtor de leite uma grande quantidade de uma genética diferenciada a um preço acessível. Todos os animais que chegaram ao Brasil passaram por um rígido critério de seleção que levou em conta as demandas genéticas do produtor brasileiro. Todos os animais estão entre os TOP da raça para características como produção de leite, longevidade e características de conformação.”, afirma o diretor da Select Sires.

A produção de sêmen destes animais começou no segundo semestre de 2017, e apenas no segundo semestre comercializou 60 mil doses. “Estamos muito satisfeitos com a aprovação dos produtores brasileiros. Se tivéssemos condições de produzir mais certamente esse número seria maior. Como esses touros chegaram com 7 meses e começaram a produzir com 12 meses, ainda não atingiram a maturidade sexual completa e portanto não estão na sua capacidade plena de produção. Esse ano a gente acredita que a venda será ainda maior com um amento superior a 100%.”, projeta Escobar. O executivo da empresa destaca que novos touros devem ser importados ainda este ano com origem na unidade americana, em Ohio.

Nesta semana, os novos passos e os resultados do programa ART Brasil foram apresentados a vários técnicos representantes de diferentes cooperativas, associações e empresas localizadas nas principais bacias leiteiras do país. O evento foi realizado na última quarta-feira, dia 17 de janeiro, em Botucatu, na Central Bela Vista. Os técnicos da Cooperativa Languiru já vêm utilizando o sêmen dos touros importados e não escodem a satisfação. “Ainda não temos filhas nascidas, mas já é possível identificar um bom índice de prenhez igual, ou melhor, aos demais que a gente vem usando e a tendência é que o resultado seja muito bom no futuro”, conta Lucio Wahlbrinck, do setor de leite da Cooperativa. Após as apresentações e discussões sobre o programa, o ponto alto do evento foi o desfile de touros, onde os presentes puderam avaliar “ao vivo” os touros que haviam sido apresentados durante a parte da manhã.

Já os técnicos da Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais (ACGHMG) destacaram o fato de o programa tornar acessível a utilização de uma genética de ponta da raça. “A Select Sires está criando com esse programa uma grande oportunidade para os criadores. É uma bela oportunidade para quem quer aproveitar touros de ponta e genética moderna das principais famílias de touros da raça holandesa no mundo. Talvez essas doses chegassem ao Brasil em valores que muitos produtores não poderiam ter acesso. Só temos que saudar uma iniciativa que oferta grande quantidade, qualidade e preço acessível.”, disse Silvano Carvalho, superintendente técnico da ACGHMG.